Comece pela dívida de juros mais altos, quase sempre o rotativo do cartão. Ele cobra perto de 15% ao mês: R$ 1.000 esquecidos lá dobram em menos de 6 meses. Cheque especial vem logo depois. Enquanto essas duas estiverem correndo, qualquer outra estratégia anda para trás.
Veja no simulador quanto cada tipo de dívida cresce se você não pagar nada.
Quanto R$ 1.000 de dívida viram em 6 meses
Sem pagar nada, só deixando os juros correrem. Escolha o valor e o prazo:
R$ 1.000,00 só de juros · bateu no teto legal
R$ 586,87 só de juros
R$ 500,73 só de juros
R$ 215,07 só de juros
R$ 112,98 só de juros
- Dívida original
- Juros
Taxas médias aproximadas de setembro de 2026, a partir das estatísticas de crédito do Banco Central. A do seu contrato pode ser bem diferente: confira o CET no app ou na fatura. O rotativo para de crescer ao dobrar a dívida (Lei 14.690/2023).
Ver os números em tabela
| Modalidade | Taxa ao mês | Saldo em 6 meses |
|---|---|---|
| Rotativo do cartão | 15,3% | R$ 2.000,00 |
| Cheque especial | 8,0% | R$ 1.586,87 |
| Empréstimo pessoal | 7,0% | R$ 1.500,73 |
| Consignado CLT | 3,3% | R$ 1.215,07 |
| Consignado INSS | 1,8% | R$ 1.112,98 |
Por que a ordem importa tanto
A diferença de juros entre as modalidades é enorme. Em 12 meses sem pagar, R$ 1.000 viram:
| Modalidade | Juros médios ao mês | R$ 1.000 em 12 meses |
|---|---|---|
| Rotativo do cartão | ≈ 15,3% | R$ 2.000 (teto legal) |
| Cheque especial | até 8% | R$ 2.518 |
| Empréstimo pessoal | ≈ 7% | R$ 2.252 |
| Consignado CLT | ≈ 3,3% | R$ 1.476 |
| Consignado INSS | ≈ 1,8% | R$ 1.239 |
O rotativo só "para" em R$ 2.000 por causa da Lei 14.690/2023: desde janeiro de 2024, juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar de 100% da dívida original. Sem o teto, a mesma dívida passaria de R$ 5.500 em um ano.
As taxas acima são médias aproximadas. A do seu contrato pode ser bem diferente: procure o CET (custo efetivo total) na fatura ou no app.
O passo a passo
1. Liste todas as dívidas
Credor, quanto deve, juros ao mês e valor da parcela. Inclua cartão, cheque especial, empréstimos, financiamentos, carnês e dívidas com família. Só dá para planejar o que está no papel.
2. Pare de criar dívida nova
Corte o cartão de crédito do dia a dia até sair do vermelho: use débito ou Pix. Se o salário acaba antes do mês, a regra 50-30-20 ajuda a achar onde cortar.
3. Negocie antes de pagar
Credores preferem receber com desconto a não receber. Antes de quitar, peça:
- O valor à vista com desconto. Dívidas antigas costumam ter abatimentos grandes.
- O CET de qualquer parcelamento. Uma parcela "que cabe no bolso" pode esconder juros maiores que os da dívida.
Mutirões do Serasa Limpa Nome, da Febraban e o portal consumidor.gov.br reúnem ofertas de vários credores.
4. Troque dívida cara por barata
Se você tem acesso a consignado (CLT, INSS ou servidor), usar ele para quitar o rotativo e o cheque especial derruba os juros de 8% a 15% para 2% a 3% ao mês. A condição é não voltar a usar o rotativo.
5. Pague pela ordem dos juros
Pague o mínimo em todas e jogue todo o dinheiro extra na de juros mais altos (método avalanche). Quitou? O valor da parcela dela vai para a próxima. A calculadora de quitação de dívidas monta essa ordem e mostra a data em que você fica livre.
Se você precisa ver progresso rápido para não desistir, quitar primeiro a menor dívida (bola de neve) também funciona. Custa um pouco mais em juros, mas mantém a motivação.
6. Monte uma reserva mínima
Assim que a dívida cara acabar, guarde pelo menos um mês de gasto. Sem reserva, o próximo imprevisto volta para o cartão. Veja quanto ter de reserva de emergência.
Se você é MEI
A Lei Complementar 238/2026 perdoou as dívidas federais do MEI até 13 de outubro de 2026, desde que você pague os DAS em dia nos 6 meses seguintes. Os detalhes estão em MEI pode faturar quanto?.
Taxas médias aproximadas de setembro de 2026, a partir das estatísticas de crédito do Banco Central. Não são as taxas do seu contrato: consulte o CET com o seu banco.
